18 de mar de 2009

Anjo de mármore - Cemitério da Saudade - Campinas SP


O interesse dos segmentos voltados à arte, à cultura, ao ensino e à história pelo Cemitério da Saudade tem justificativa; a de ser considerado um museu a céu aberto, cuja preservação é indispensável. Esta qualificação se dá por conta da sofisticação e da quantidade de obras produzidas por figuras de renome da arte da escultura em mármore que ornamentam grande parte das sepulturas. Em especial aquelas onde estão sepultados os ilustres da história de Campinas. De extrema importância para o estudo da arte tumular (e para entender a segmentação social na cidade durante o final do século 19 e início do século 20, auge do período em que o café era o grande gerador de riqueza), o Cemitério da Saudade abriga trabalhos de marmoristas que chegaram da Itália no final do século 19. São peças de mármore carrara, considerada uma das pedras mais nobres para escultura, que chegava ao Brasil pelo porto de Santos em grandes blocos vindos de Marina de Carrara, no Noroeste da Itália. As esculturas não obedecem a um único estilo artístico. Na sepultura de Leonor Penteado é possível observar uma escultura do italiano Giuseppe Tomagnini, considerado o grande representante da fase da arte tumular em mármore no cemitério. A sepultura (uma das primeiras da alameda principal) mescla arte grega, realismo e neoclássico, definindo o ecletismo de estilos adotado na época. Além de Tomagnini, outros escultores contribuíram para a valorização artística do Cemitério da Saudade. Anjos, bustos, frades, santos, Pietás, Cristos e adornos são assinados também por artesãos das famílias Marcelino Velez, J. Rosada e Bocatta, de talento inegável.

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